Brincando com Projeções

 

Sombras

Trabalhando com nosso lado sombrio!

Alguma vez você já se deparou com pessoas que ficaram irritadas com você e começaram a lhe dizer coisas e a emitir opiniões tão infundadas a seu respeito que o fizeram imaginar de onde estavam saindo e se essa gente não o estava confundindo com outra pessoa?

Se a resposta for afirmativa, você foi objeto de projeções violentas. A projeção é um mecanismo de defesa que usamos para responsabilizar os outros por nossas próprias faltas ou presumir que uma outra pessoa sente a emoção da qual estamos inundados, mas não queremos encarar.

Em outras palavras, quando não examinamos nosso lado sombrio, podemos terminar projetando-o nos outros. Tomar consciência das táticas de projeção em nós mesmos e nos outros nos permitirá perceber o lado sombrio de nós mesmos e dos outros.

Se conseguirmos separar a mágoa de uma agressão e olhar para aquilo que a pessoa que nos agride está projetando, poderemos aprender um bocado a respeito disso e do espaço de onde as projeções se originam. Precisamos ter uma elevada auto-estima e a integridade necessária para perceber que suas projeções na verdade não se referem a nós pessoalmente. Além disso, se escutarmos a nós mesmos quando nos sentirmos irritados com os outros, aprenderemos muito se formos corajosos o bastante para nos olhar com honestidade.

É virtualmente impossível não nos projetarmos. Detectamos partes de nós mesmos nos outros; aquilo que mais percebemos nos outros, quer de positivo ou negativo, são aspectos do nosso próprio eu.

Todos sabemos que a fim de ver o que está atrás de nós (representando nossa sombra), precisamos de um espelho. Existem partes de nossa personalidade que só conseguimos enxergar quando refletidas na personalidade de outrem, o que vale dizer, quando projetadas em outras pessoas.

Existem pessoas que levam o conceito de projeção muito a sério. Eu, no entanto, o aconselho a relaxar e usufruir da projeção! Quando for objeto de uma projeção, perceba que ela é um dom no sentido da compreensão e não fique por demais apegado ao que está sendo dito a seu respeito.

Pratique o desapego. Quando você mesmo estiver se projetando, aprenda a investigar aquilo que está projetando e determine se é prejudicial para si próprio e para aqueles que o rodeiam. A atenção e a vigília conduzem a uma progressão natural de novas escolhas e maneiras de ser.

Uma das maneiras de explorar e brincar com as projeções e com o seu lado sombrio é desenhar o seu monstro. Utilizo-me dessa técnica com crianças para ajudá-las a expressar sua raiva de uma forma segura. Normalmente, as crianças não pensam duas vezes quando querem dizer alguma coisa; elas sabem que têm um monstro de estimação. Uma vez que trazemos dentro de nós uma criança que por vezes fica irritada, nós também podemos nos beneficiar ao desenhar nossos monstros.

Apanhe um pedaço de papel e alguns creions, anotadores ou lápis coloridos – o uso da cor é importante para este exercício. Agora desenhe o seu monstro. Não se dê ao trabalho de negar que você tem um, pois o exercício não depende de você ter um monstro ou não; você pode desenhar seu monstro independentemente do que esteja pensando.

Não se preocupe tampouco com sua habilidade artística; deixe-se levar – desenhe um monstro esquematizado ou bolhas coloridas, se quiser. Quando terminar o desenho, faça uma legenda e escreva sobre aquilo que deixa seu monstro irritado. Escreva-o como se você fosse o monstro contando a alguém por que está irritado.

Quando terminar de escrever, estude o seu monstro e algumas das coisas que ele disse. De onde se originam as coisas que seu monstro contou? Talvez você descubra que todas elas se originam de um espaço de medo, ou talvez descubra algo diferente. Peça aos anjos por percepções mais profundas e novas idéias. Não se deixe levar em excesso pela auto-análise; lembre-se: queremos fazer esse exercício com leveza, pois o seu objetivo é ser uma expressão segura de parte da raiva ou do medo com que temos convivido.

Muitos de nós desenvolvermos a crença de que bastaria sermos perfeitos e isentos de pensamentos terríveis para que os nossos pais, parceiros conjugais, ou quem quer que seja, não apresentassem determinado comportamento. Dessa forma, ocultamos nossos pensamentos em um armário. Chegou o momento de tirarmos nossos monstros do armário e explorar os pensamentos terríveis, percebendo que eles não modificam o comportamento dos outros para conosco, a menos que usemos de agressividade, coisa que podemos aprender a controlar.

É preciso ensinar ás crianças a compaixão e a bondade em suas ações, bem como maneiras de lidar com a sua irritação de forma construtiva, usando o autocontrole. Em outras palavras não nascemos perfeitos; nascemos com determinados aspectos de nós mesmos que são conflitantes; por meio de uma prática espiritual honesta, poderemos superar esses aspectos e eles nos fortalecerão.

Adotando o exercício ou prática corretos, nosso ponto mais fraco pode se tornar nossa maior força. Não superaremos nossas fraquezas se as escondermos ou negarmos nossos sentimentos, independentemente da natureza destes. Quando começarmos a nos sentir corajosos o bastante para encarar nosso lado sombrio sem julgar a nós mesmos como maus, aprenderemos formas de iluminar a escuridão.

Atraia os anjos para junto de si enquanto estiver examinando seu lado sombrio; à luz dos anjos, os aspectos ocultos de nossas personalidades não parecerão tão sérios e insuperáveis. Quando encaramos a luz e os anjos, seguindo nosso caminho em companhia deles, deixamos de ser controlados pelas sombras. Porque quando nos voltamos para a luz angelical, esta, ilumina as sombras e enxergamos então, o que ali existe; assim sabemos que possuímos a capacidade de transformar a escuridão.

Aprender a desenvolver a força divina existente em nós mesmos, em lugar de procurar o demônio nos outros, é uma boa maneira de identificar nossas projeções. Procurar o demônio nos outros não resulta em nenhuma ajuda construtiva a quem quer que seja. Abrir mais espaço em nossas vidas para o trabalho de Deus e dos anjos dará à nossa mente a criatividade de que necessitamos para lidar com a sombra de nosso eu inferior. Você irá seguir naturalmente caminhos que levam na direção do seu Eu Superior, que, por sua vez, transforma aspectos do eu inferior.

Lidar de maneira construtiva com a irritação e o ódio não é um processo fácil, porquanto exige um esforço consciente e muita prática. Reprimi-los é mais pernicioso para nós e para os outros à nossa volta, de forma que precisamos abrir a porta do armário e libertar nosso monstro, através de uma prática constante de auto-aceitação, além de desenvolver a bondade e a sabedoria por meio de nossa busca espiritual.

Até mesmo o Dalai Lama admitiu prontamente ter-lhe sido necessária uma grande prática para vencer uma tendência a ficar muito irritado. Citando suas palavras: “Se você normalmente fica irritado por dez minutos, procure reduzir esse tempo para oito minutos. Na semana seguinte reduza-o para cinco e, na seguinte, para dois minutos. Reduza-o então a zero. É assim que nossas mentes são desenvolvidas e treinadas. É esse o meu modo de ver e também o tipo de prática que eu mesmo exerço. É bastante claro que todo mundo precisa de paz mental. A questão, portanto, é como alcançá-la. Através da irritação é impossível, através da bondade, através do amor, através da compaixão, cada um de nós pode alcançar sua paz mental”.  

OS ANJOS GUARDIÃES DA ESPERANÇA
TERRY LYNN TAYLOR

Boas energias e com o carinho de sempre…

*depois da leitura do texto, indico o livro O Efeito Sombra, você encontrara no site para baixar.